Você já ouviu falar sobre as doenças inflamatórias intestinais (DIIs)? Identificar os sinais da doença de Crohn ou da retocolite ulcerativa é o foco central do Maio Roxo, campanha que incentiva o diagnóstico precoce e busca melhorar a qualidade de vida dos pacientes, já que muitas pessoas convivem anos com os sintomas sem saber o que realmente têm. Segundo a Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), há cerca de 100 casos para cada 100 mil habitantes.
Embora possam afetar pessoas de todas as idades, essas doenças são mais frequentes entre 15 e 35 anos. Suas causas ainda são desconhecidas, mas a hereditariedade pode influenciar, pois aproximadamente 20% dos pacientes têm um familiar com a mesma condição. Especialistas também acreditam que quem desenvolve a doença pode ter alguma alteração no sistema imunológico.
Principais sintomas e características das DIIs
Nos quadros leves, os sintomas mais comuns incluem dores abdominais e alterações no funcionamento do intestino, como diarreia ou prisão de ventre. Já nos casos mais graves, podem surgir dores intensas, sangramento retal, perda de peso repentina, cansaço excessivo e feridas na boca.
Na doença de Crohn, a inflamação pode aparecer em qualquer parte do trato digestivo, sendo mais comum no final do intestino delgado e na primeira parte do intestino grosso. Já a retocolite ulcerativa afeta apenas o intestino grosso e o reto.
Entre as possíveis complicações da doença de Crohn estão obstrução intestinal, abscessos, fístulas, fissuras, má absorção de nutrientes e desnutrição. No caso da retocolite, as complicações podem incluir perfuração intestinal e formas mais graves de inflamação da parede do intestino.
O risco de desenvolvimento de câncer colorretal também é maior. Estima-se que de 5% a 8% dos pacientes possam desenvolver o tumor em até 20 anos após o diagnóstico. Para prevenir isso, a recomendação é manter o intestino sem inflamação por meio de acompanhamento médico adequado. Após dez anos de doença, especialistas sugerem a realização de colonoscopia anual.
Como é feito o diagnóstico
No caso da doença de Crohn, o diagnóstico é feito com exames de imagem e laboratoriais, além da avaliação dos sintomas e da exclusão de outras doenças semelhantes. Para a retocolite ulcerativa, o diagnóstico é endoscópico, com auxílio da história clínica do paciente e exames de laboratório. A colonoscopia e as biópsias são ferramentas essenciais nessa investigação.
Exames de sangue também ajudam a avaliar possíveis distúrbios associados, como níveis de ferro e albumina. Testes de inflamação podem ser solicitados, assim como outros marcadores específicos. O caminho até a confirmação pode ser longo e exige várias avaliações até que o diagnóstico seja fechado.
O diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento, pois, diferentemente de outras condições intestinais comuns, as doenças inflamatórias intestinais ainda não têm cura e podem levar a outros problemas de saúde. O tratamento é feito com medicamentos de manutenção, inclusive quando não há sintomas, para evitar danos mais graves.
Adultos com suspeita podem procurar gastroenterologistas ou coloproctologistas. No caso de crianças, os especialistas indicados são os gastroenterologistas pediátricos.
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